Matéria publicada no jornal O Popular, em 25|07|20

Drive thru ganha força na crise

Formato de atendimento rápido cresce em diversos segmentos, com casos em que supera a venda em loja; shoppings consideram ampliar e manter a opção no pós-pandemia

Os clientes gostaram de poder pedir um produto pela internet e buscar pelo drive thru sem sair do carro. É o que relatam lojistas goianos. Assim, o modelo mais comum aos fast foods ganhou novos formatos e força por conta da pandemia de coronavírus. Há crescimento no uso dessa opção de compra em shoppings – onde há relato de aumento de até 15% – e em outros segmentos. Isso mesmo após os governos estadual e municipais liberarem a abertura do comércio para o atendimento presencial em boa parte de Goiás.

De dentro do carro, já foi possível participar de atividades religiosas, tomar vacinas, fazer exames e compras diversas, do café da manhã e vegetais orgânicos da feira aos eletrônicos e livros. “É uma comodidade para o cliente e significa economia de tempo também para o lojista, por isso é um sistema que tende a ficar por pelo menos mais alguns meses”, avalia o presidente da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Goiás (FCDL-GO), Valdir Ribeiro.

No entanto, há quem aposte que o drive thru vai permanecer em alta mesmo no pós-pandemia. O gerente da loja Imaginarium do Goiânia Shopping, Deivyson Souza, faz parte desse grupo. Para sua área, ele acredita que é um diferencial. “Tem muitas pessoas que querem a compra rápida, sair de casa e só passar e pegar. Já tínhamos clientes assim, mas não tínhamos a estrutura”, diz ao reconhecer que a oferta multicanal tem ajudado na crise também pelo receio ainda presente da infecção por Covid-19.

A retirada por carro, segundo ele, tem representado 50% do faturamento e, em alguns dias da semana, até supera as vendas realizadas com atendimento em loja. Catálogo virtual pelo site ou redes sociais, pagamento on-line e opção de deixar o produto em lockers sem custo extra – o que uma entrega por correio teria – reduzem o contato pessoal a zero, porém o gerente informa que isso tem auxiliado a fidelizar e alcançar novos consumidores.

Shoppings

O crescimento da venda on-line impulsiona o drive thru e shoppings têm se tornado centros de distribuição. Uma tendência internacional que para o gerente de marketing do Goiânia Shopping, José Neto, deve continuar. A aposta é alta, tanto que recentemente instalaram estrutura de lockers, que são caixas com senha para retirada dos produtos no estacionamento. Um item a mais para o modelo de atendimento rápido que pretendem manter por tempo indeterminado. “Os clientes estão cada vez mais conectados e oferecer mais canais é importante.”

O Shopping Bougainville também adotou o serviço quando estava proibido na capital o funcionamento das atividades não essenciais e decidiu mantê-lo por conta da repercussão positiva. Da primeira oferta, no mês de maio, até a reabertura para atendimento presencial, o centro de compras registrou que as vendas por meio do drive thru tiveram um crescimento de 15%. “O recurso representa ainda um grande aliado para a manutenção do fluxo reduzido de clientes no mall, com apenas 50% da sua capacidade total, conforme previsto pelos decretos municipal e estadual”, informou por nota.

“O canal tem sido incentivado, acompanhado com atenção e sua permanência dependerá da demanda”, ressalta o superintendente de Operações do Flamboyant Shopping Center, Reynaldo Abreu Filho. Tem opções gastronômicas, moda masculina, feminina e infantil, tecnologia, cosméticos.

Essa atenção é considerada pelo consultor de varejo Geraldo Rocha como natural. “É preciso vender e encontrar o consumidor de todas as formas possíveis. O varejo on-line cresceu exponencialmente e o drive thru é um dos canais. Só que para alguns segmentos isso não é sustentável.” O especialista defende que ver os shoppings como centro de distribuição é algo discutido há anos, mas comparar e replicar o que ocorre nos Estados Unidos e Europa não seria adequado no Brasil.

Por isso, acredita que a moda pode passar pós-pandemia. “Somos seres sociais e voltaremos a entrar nas lojas”, pontua ao ressaltar o papel dos shoppings como local de reunião e lazer pela falta de opção nas cidades. Em alguns segmentos, como o dos supermercados, a moda nem chegou a pegar. Enquanto para farmácias há adaptação da entrega no estacionamento, o que ocorre em pizzarias, lanchonetes, bares e restaurantes. Já no segmento de laboratórios de análises clínicas é um modelo que se fortalece.

O primeiro drive-thru começou a funcionar no dia 21 de maio, segundo o Sindicato dos Laboratórios de Análises e Banco de Sangue do Estado de Goiás (Sindilabs-GO), e já são cinco postos de atendimento em Goiânia. Um deles, o Sigma considera manter a opção após a pandemia como estratégia para atendimento de pessoas que “alegam não ter tempo”.

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